quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O PREÇO DA MATURIDADE



Sempre desejei ser adulta, crescer e exercer a real responsabilidade que eu já podia antes mesmo de me tornar civil e criminalmente responsável por meus atos. Esse momento chegou antes de completar dezoito anos, muito antes e quando cheguei a idade na qual adquiri esses direitos e também deveres deparei-me com um problema: eu cresci antes do tempo, emocionalmente, em especial.



Sempre levei muito a sério todos os conselhos recebidos sobre a sábia calma dos idosos, por exemplo, que já viveram muito e por isso sabem dizer que não vale a pena agir sem pensar. Aprendi cedo o valor das pessoas na vida da gente, de como somos vulneráveis e de como a sociedade sabe ser cruel. Também desenvolvi uma percepção fora de sério frente as pessoas, aprendi em minha medíocre vida a identificar gestos, nuances e percepções de cada ser que analiso sem uma única palavra.
Quando finalmente poderia dar meu grito de liberdade, aos 18 anos e chutar o balde, simplesmente já havia aprendido mais do que devia e isso me impossibilitava emocionalmente de ser inconsequente.



Vi tanta gente morrendo por não levar a sério a dica sobre alcool e direção.
Ouvi tantas histórias de pessoas que acordam depois de uma balada e nem sabem onde estão e com quem e isso, sem falar das discussões entre pessoas que presenciei, discussões essas desnecessárias, mas fundamentais para a evolução do ser humano.
Vi gente cabular aula durante toda a faculdade (não que eu não o fizesse também de vez em quando, mas não sempre) e ainda consigo ajudar as pessoas tecnicamente bem mais maduras do que eu a resolver seus problemas com sabedoria e clareza.

Nesse momento percebo o que deixei de lado. Tudo o que passa sem eu perceber. Tudo o que eu deveria ter feito e achei que era madura demais para fazer. Será que foi a eterna cobrança por maturidade que me transformou nesse ser sem sal?



Queria ter tido a sensatez de ser insensata e me permitir beber até cair, simplesmente porque resolvi fazer e não pra esquecer alguma coisa.
Queria ter me permitido sair de casa de carona, sem saber dizer aonde ia dormir e como iria voltar.
Queria ter conseguido beber tanto e acordar sem saber onde estou e com quem pra ter o prazer de lembrar o quanto isso havia sido engraçado.
Queria ter me permitido sair de carro sem me preocupar se alguém ia roubar, se alguém iria arranhá-lo ou se ele estaria lá a hora que eu voltasse buscá-lo, ou quem sabe até pior: se eu não cometesse nenhum erro dirigindo ele, seja por qual motivo fosse.
Queria ter ido viajar com meus amigos de ônibus, pra praia sem telefone e sem preocupações. Mas espera aí.. Que amigos? Quais eu tinha que topariam fazer isso comigo?
Era e sou tão ocupada com estudos e faculdade que até me esqueço que sou um ser humano e por isso tenho a necessidade de socializar a minha vida.




Sonhando em levar a vida e me permitir errar pra conseguir reconstruir e acertar na próxima vez o que quer que seja. E... viver sem medo de ser analisada e avaliada o tempo todo, sem medo de estar fazendo algo que possa magoar as pessoas.

Porque as pessoas que mais amo e convivo censuram a minha criatividade? Quem sabe... Mas acho que ainda pior é deixar com que isso me influe e me faça parar de realizar as coisas.